domingo, 29 de outubro de 2017

Thor: Ragnarok, 2017.

Sempre conheci os heróis nas páginas de quadrinhos Marvel, com suas roupas e cenários bastante coloridos, este longa recria isto e faz homenagens aos seus criadores. O bom humor também faz parte destas histórias, mas como adaptação de duas histórias como Thor Ragnarok e Planeta Hulk que são histórias mais densas, o diretor toma uma decisão, a de tornar isso leve e descontraído como visto nos trailers (e não entregam surpresas!). Uma coisa é certa, ninguém vai ficar entediado com este filme!

Na trama, Thor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok, a destruição de seu mundo, que está nas mãos da poderosa e implacável vilã Hela (Cate Blanchett).

A cinematografia é perfeitamente recriada do universo de quadrinhos da Marvel, e mesmo com algumas diferenças, elas são feitas para que, no contexto, sejam ainda mais claras para não deixarmos passar nenhum detalhe. Um filme feito para ser visto claramente a cada movimento, e cada detalhe de uma rica produção de design, com figurinos e maquiagens impecáveis. A música original tem uma batida épica e eletrônica bastante empolgante, muito bem encaixada, embala as ótimas sequências de ação com alto valor de qualidade, é uma trilha crescente que fica com o espectador, sem falar que na seleção musical temos, entre outros, Led Zeppelin, que impulsiona e nos faz lembrar que os trailers do filme entregam o mesmo clima que nos foi prometido. Cenas de ação e aventura não faltam é puro entretenimento.






Thor: Ragnarok é a prova de que uma comédia de super-heróis pode sim ser um filme bom, o tom de comédia tem a medida certa, algumas tiradas são inocentes, outras nem tanto! A produção é caprichada, o roteiro é simples, inteligentemente bem escrito, a direção faz um trabalho fantástico com a apresentação dos novos personagens e o entrosamento entre os já conhecidos do público fica ainda melhor. Benedict Cumberbatch faz uma pequena e divertida participação com seu Doutor Estranho que rende até referência à um outro personagem do ator! Chris Hemsworth e Tom Hiddleston estão cada vez mais à vontade e melhores nas tiradas de arrancar bons risos, ambos apresentam a melhor química entre eles, Hiddleston é aquela presença que você sempre vê em cena e suas piadas são as melhores. Cate Blanchett é a melhor vilã do universo até aqui, mesmo sua motivação não sendo a mais criativa e o desenvolvimento de personagem tenha deixado a desejar. Hella é ameaçadora como todo vilão deveria ser, sua presença é um grande presente para o espectador. Tessa Tompsom é uma grata surpresa, ela está demais, com certeza terá espaço em outros filmes do UCM. Já Karl Urban e Idris Elba estão sobrando e são pontos negativos do filme por motivos diferentes, o primeiro teve seu papel muito resumido e o segundo era completamente descartável. Mas há também atores convidados que fazem participações surpreendentes, mas prestem atenção em seus diálogos, são boas referências aos quadrinhos.




O longa tem inúmeras referências de todo o universo Marvel dentro e fora dos quadrinhos (se não é isso que nós fãs destes heróis queremos, não dá pra imaginar o que seja!), e ao contrário dos outros filmes da Marvel que são "cheio de piadinhas" este aqui é "a piada!", e digo isso no bom sentido, pois Taka Waititi faz um trabalho de direção que sobressalta o gênero comédia sem medo de ser feliz. O que os leitores de quadrinhos podem não gostar, pois o Thor clássico que vimos todos estes anos nas páginas das HQs não é o mesmo Thor do UCM, e neste filme, nesta adaptação, ele se estabelece como um super-herói leve e muito divertido, é o Thor dos cinemas. Não chega a ser uma comédia pastelão, mas o protagonista tem sua identidade estabelecida e a piada flui com diálogos que são muito bem pensados, a maioria, embora pareçam apenas mais uma piada, vem carregada de referências à outras histórias, que compõem perfeitamente o roteiro e todo o Universo Marvel (das HQs e do cinema), para o fã mais atento, isso se torna ainda mais interessante. Vemos que a narrativa é bem estruturada e que o gênero comédia foi pensado desde o início, não há aqui uma tentativa de enganar o público, você que vai ao cinema baseado no que viu nos trailers, irá de fato, receber aquela proposta.


Os efeitos visuais, como não podiam deixar de ser, são incríveis, o CGi dos filmes da Mavel são sempre limpos nas cenas de ação, temos o melhor visual dos filmes de super-heróis, e aqui isso se cumpre mais uma vez com excelência, isso por quê, primeiro, as cenas possuem mais elementos de efeitos práticos, miniaturas, maquiagem... Segundo porque a direção extremamente competente enquadra cenas com perfeita sincronia de imagens entre a interação digital e os atores. Os efeitos de "videogame" são minimizados e as cenas em ambientes claros indicam a confiança que a equipe tem no trabalho muito bem realizado, proporcionando o conforto para os olhos do espectador que pode apreciar melhor todos os detalhes em cena, como por exemplo nas cenas da arena, mesmo sendo um ambiente fechado há uma iluminação adequada para que o espectador não precise forçar a visão e nem haja a necessidade daquela enxurrada de cenas em câmera lenta, o espectador assiste a tudo claramente. A fotografia e a direção de arte, colorida e vibrante, dá o toque final de uma produção competente e perfeitamente alinhada. 


Esta é a fórmula Marvel para adaptações do seu próprio universo da nona arte para a sétima arte, e mesmo que os fãs dos clássicos quadrinhos não fiquem muito satisfeitos, deu certo. Não porque 'explodem" as bilheterias, mas por fazerem um excelente trabalho cinematográfico e este trabalho traz nossos heróis com cenas que parecem terem sido tiradas especialmente das páginas destes quadrinhos. Cinema de alta qualidade para toda família


O 3D é ótimo, vale a pena conferir. Já as cenas pós-créditos, apenas a primeira é relevante. Divirtam-se com Thor: Ragnarok