sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Death Note (Netflix, 2017).

Quando saiu o trailer eu disse: "Eu estou com muito medo de ser o novo Dragon Ball Evolution...", pois é...


Vou direto ao ponto, a Netflix fez uma adaptação de um dos mangás/animes mais fodásticos do planeta, quem o fã que leu ou só assistiu o anime, dificilmente vai aprovar este filme, mas o problema maior não é a adaptação em si, além de ter mudado muito das características dos personagens, a história e o tom de complexidade da obra original, este longa falha no roteiro, nas atuações, no tom (clima), na montagem de cenas, na direção de elenco... O que se salva aqui com muito esforço, é a direção de arte com algumas homenagens prestadas ao anime, como alguns enquadramentos e cenografia. Ah, e o Ryuk que ficou muito bom, mesmo só aparecendo no escuro, numa tentativa desesperada do diretor em criar um clima sombrio em sua presença, mas que acaba ofuscando o shinigami.


O roteiro possui uma narrativa corrida que logo nos primeiros minutos dá uma sensação de que perdemos algo, mas depois de 15 minutos a gente consegue entrar no clima, e passamos o filme todo esperando desenvolvimento dos personagens, este Light é bobalhão e mimado, a Mia é o personagem mais insuportável, o L é o personagem mais ridículo, o ator fica tentando imitar os trejeitos do personagem do anime, mas fica forçado demais e não condiz com o que estamos assistindo, nem tem explicação para aquele comportamento, além de parecer imaturo e nervosinho. A direção não sabe que rumo tomar e qual é o gênero predominante, tem piadas sem graça, tem gore, tem romance juvenil, tem clima de thriller... Mas nada é predominante, a redução de um anime que possui 37 episódios resumida em um filme com menos uma hora e meia, realmente, não tem como funcionar. 


A fotografia escura quando Ryuk aparece me frustrou completamente, Willen Daffoe caiu como uma luva para o personagem que infelizmente apareceu tão pouco. Também não tenho que falar da atuação de Nat Wolff ele não é um ator ruim, mas o roteiro e a direção não ajudam (cadê o brilhantismo deste personagem???). Toda questão envolvendo as discussões realmente interessantes que há na história original de Death Note foram ignoradas aqui, o bem contra o mau não tem relevância, a trama confusa e reviravoltas previsíveis acabam confundindo quem assiste... e quem se importa com que morre ou não?, não há desenvolvimento de personagens, não há evolução no enredo..., e a complexidade e reviravoltas incríveis existentes no anime simplesmente desapareceram dando lugar à uma trama policial infanto-juvenil de romance barato, superficial e com algumas cenas com toque gore tarantinesco (e isso não é no bom sentido!).


A montagem das cenas é um caos, lembra muito o que vemos em novelas da TV aberta, cortes abruptos de uma cena para a outra deixam o espectador tonto com a velocidade dos acontecimentos até o final do segundo ato, quando o filme entra num ritmo arrastado e enfadonho, mesmo com toda ação rolando. São 1h e 32 min até os créditos, que parecem uma eternidade. A trilha sonora totalmente fora do tom, só funciona em alguns momentos, e pra ficar bem bizarro (essa só quem viu novelas nos anos 80 vai lembrar) tem "O Amor E O Poder" (Como uma deeeusaaa...) pra fechar com chave de ouro. Entendedores entenderão... Hahahahaha!!! Desculpa gente, eu não resisti!

Ah, Dragon Ball Evolution ganhou um concorrente à altura para disputar o pior lugar no ranking das adaptações de animes/mangás para filmes, acho até que perdeu com folga para Death Note.


Sinopse: Um estudante encontra um caderno sobrenatural e ao escrever nele o nome de alguém e imaginar seu rosto, essa pessoa morre. Seduzido por esse novo poder, o jovem começa a matar aqueles que ele acha que não merecem viver.


Minha recomendação: Assista ao anime que também está disponível na Netflix.